O QUE ME RESERVA O AMANHÃ.



Quem sabe um dia eu vou olhar pra traz e sentir que valeu a pena, que fui realmente o que desejei um dia ser, como serei amanhã; em dez, vinte ou trinta anos, quem fui eu a dez, quinze anos atrás, quem sou eu hoje, fui, sou e serei varias mulheres, a menina de quinze anos que gostava de um amigo da escola já não existe mais aqui dentro, a criança que queimava o sofá da mãe, roubava fruta do quintal do vizinho, eu sei que já não existem mais. Afinal de contas quantas somos ao longo da vida, será que se fosse apresentada a garrota de quinze anos a mulher de vinte e seis qual das duas iria se orgulhar da outra? Qual das duas iria se assustar com o que foi ou com o que é!

Grande engano achar que o tempo pode produzir melhorias, dizem, não sei mesmo, que nos tornamos mais experientes, experiência esta que ganhamos fatalmente sob o fruto de muito quebrar a cara ou sofrer, dizem que ao longo dos anos vamos reciclando tudo a volta e ficando mais interessantes, que a serenidade ao enfrentar os percalços da vida ajuda muito, que selecionados amizades, círculo social, paladares, lugares, viagens e amores. Analisando estas escolhas será que não nos tornamos chatos, velhos, carrancudos. Exigentes demais seria a definição clara da passagem do tempo sobre nossas vidas.

A juventude trás o frescor, o ar puro á nossas vidas, quem não lembra a primeira ida ao cinema, da primeira vez que beijou ou pegou no volante de um carro, que saiu de casa sozinha para ir a uma festa, bebeu o primeiro porre, ou fumou o primeiro cigarro escondido no banheiro de casa, são momentos que sentimos a sensação do novíssimo que nunca mais será da mesma forma, não importa se você percorra os mesmos passos tentando achar aquela emoção da primeira vez não encontrara de forma alguma o novo daquele momento.

Experiência, frescor do novo, juventude, maturidade, novo, usado, relembrar ou esquecer seriam tantos os adjetivos que poderia por aqui neste texto para tentar retratar a passagem dos anos sobre nossas vidas às vezes cinto saudades da menina da infância que ria a toa de tudo e de todos, da adolescente que acreditava no amanhã realizável feito triller de cinema para si, e olho a mulher que não pode ver essas duas pessoas de seu passado sem que se misture com as experiências do agora.

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